Claudomira, aquela mulata fogosa, de peitos grandes, cabelos revoltos e inteligência curta arrumou um namorado.
Loirinho, miudinho e tímido, não falava nosso idioma. Gastava muito e jamais revelou a procedência do dinheiro.
Ele se encantou com aquela mulher desinibida que o tratava como a um rei, só pelo fato de ser de outra nacionalidade. Coisa bem tupiniquim subdesenvolvido de achar que porque é de fora é melhor e mais culto e mais educado ...
"Ficaram" algum tempo. Ela se achando o máximo e ele, muito satisfeito de suas necessidades carnais. Ele pagava as contas e ela abusava. Ganhou carro, joias, viagens e até um apartamento depois que passaram a dividir teto.
Quando o apartamento foi comprado o corretor se aproximou de Claudemira e ela não resistiu aos encantos daquele homem alto, forte e com voz de veludo. Meteu um par de cornos no namorado, sem dó. Cínica e interesseira, passou a sair com os dois. Um lhe satisfazia as necessidades materiais e o outro, as fantasias eróticas.
O corretor começou a exigir-lhe presença constante. Queria Claudomira só para si. Nada de dividi-la com o namorado que pagava as contas. Ela, por sua vez, arguia que só deixaria o outro por situação financeira melhor e mais conformtável. Ele a deixou falando sozinha.
O namorado viajava muito e nem percebeu que ela mudara o comportamento, pois, a perda do amante a entristeceu e a deixou cheia de desejos não satisfeitos. Sempre lhe trazia chocolates, perfumes e outros presentes, muitas vezes simplesmente desprezados e abandonados em algum canto. Certa feita, ao chegar de viagem encontrou Claudemira dormindo tranquila e satisfeita, nua e com os cabelos revoltos cheios de pétalas de rosas. Garrafa de champagne vazia na mesa de cabeceira e música suave ao fundo. Cama desfeita num convite à lascívia. Amaram-se como nunca e ela gostou do desempenho dele, pela primeira vez. Pensou na sorte que tivera na vida. Estava pensando em dar um golpe e se casar com o loirinho. Seria madame, rica e poderia exibir seu achado para as amigas mais descrentes. Ele anunciou que estava de partida. Voltaria para a terra natal após vender todos os bens adquiridos em nome dela. Lá ele mantinha familia constituída que reclamava sua presença. Precisava do dinheiro investido porque perdera a fonte de renda. Usou da procuração que ela outorgara logo de início, vendeu tudo e foi-se, sem deixar rastro.
- Marido, onde vc está? - No postinho aqui perto, terminando de abastecer o carro. - Vou até ai para lhe entregar os óculos de leitura que ficaram em cima da mesa do computador. - Pode deixar, eu dou a volta no quarteirão.
Muitos quilômetros depois: - Bem, esqueci de trazer o pijama. Deixei em cima da cama ...
Já em Belo Horizonte: - Bem, sabe o que eu não trouxe? Cuecas e meias ...
Certa vez ele deixou os lençóis e a fronha aqui em casa. Improvisou por lá alguma proteção para a cama. Noutra ocasião, deixou aqui o abridor da garagem que estava no carro, porque foi no carro do companheiro de apartamento. As chaves de casa são um eterno problema!
Na mais recente viagem que fez ao sul perdeu a agenda e um blusão maravilhoso!
Antes de rirmos dele, precisamos pensar que está cansado, precisando de férias e que já não é nenhum broto. Trabalha muito, viaja demais e está querendo se aposentar, mas não pode.
Muito embora minha atividade tenha sido muito mais leve nesses últimos anos, também tenho sentido o peso dos anos nas costas.
Na verdade, não é o peso pelo peso e sim, o reflexo da passagem da vida, que gerou certo desinteresse em resolver coisas. Percebo, claramente, que o tempo mudou de sentido. A pressa acabou. Poucas coisas são, de fato, urgentes.
Os sinais que precisamos tirar o pé do acelerador começam a aparecer. A capacidade de aprender diminui; as condições físicas são mais sensíveis; a textura da pele muda; aparecem dores em locais inusitados e do nada...
Não estou deprimida ou com dó de mim mesma, mas, acho, que precisamos ceder para os mais jovens algumas tarefas.
Do meu modesto ponto de vista, temos obrigação de saber envelhecer.
Fui outra vez até Garça para uma audiência, na 5ª feira. O Autor contou um monte de mentiras e nós, outro tanto, talvez maior. A empresa está quebrada. Os sócios que constam do contrato social já retiraram tudo de seus nomes: casas, carros, contas bancárias e assim por diante. O sócio que está se retirando da sociedade instigou os ex-empregados e moverem ações. Esse sócio, por sua vez, tem casa, carro e conta bancária ... Possivelmente, ele venha a responder pelas ações e é oque nos interessa. Instigou? Pague a dívida, ora!
Saimos de São Paulo às 9 da manhã e chegamos às 9 da noite, depois de percorrermos mais de 840km. Almoçamos em Bauru, numa churrascaria ótima. Meu condutor, gaúcho, deliciou-se.
Ele é bom papo e me contou muitas histórias de São Leopoldo.
O mais engraçado é que ele me contou que logo que chegou a São Paulo apaixonou-se pelas padarias dessa cidade. Amplas, com diversos e variados tipos de pão, balcões de frios enormes e por aí afora, que não existem no sul. Ele me disse que no sul não existe essa variedade de pães e que as receitas não são tão gostosas.
Meu sobrinho está morando em Porto Alegre e me disse, dias atras que sente falta do pãozinho crocante que compramos a qualquer hora em qualquer padaria de São Paulo.
Esse gaucho. logo que chegou a São Paulo entrou no açougue e pediu "aquele vazio", ali. O vazio de sons formou-se. Ninguém sabia o que era "vazio" pois, aqui em Sampa chama-se maminha a carne que ele queria.
Conversamos o dia todo e uma parte da noite. Todas as histórias estão misturadas no meu cérebro. Talvez um dia eu as desmisture e conte para vocês. Por enquanto,. despeço-me, deixando Bjkª para todos. Elza
Dois homens se encontram depois de mais de 30 anos de separação. Cada um seguiu seu caminho e acabaram se cruzando numa negociação profissional. A emoção só os tomou após terminarem os assuntos técnicos. Dois homens com mais de 70 anos se abraçaram e choraram. Falaram dos tempos idos. Procuraram saber os antigos companheiros de trabalho e de profissão. Emocionaram a todos os que presenciaram o encontro.
O mais novo diz ao mais velho que está indo embora:
Aos domingos tem feira na rua atras de meu prédio. Quem a frequenta e conhece os vendedores é meu marido. Há muitos anos ele se encarregou das compras e eu só vou quando ele está em viagem. Hoje, quando saí com o Baltazar, um casal de japoneses me parou para comentar que os preços da feira eram muito altos. Disseram-me que moram no Camnpo Belo e que a feira de lá é muito mais barateira do que essa e que iriram ao sacolão ao lado. Falei para eles tomarem cuidado pois, ouvi dizer que o sacolão é mais careiro que a feira. Ficamos falando sobre preços por alguns minutos. Cansei daquela conversa e me despedi para andar com meu bicho. Encontrei minha vizinha e amiga com a cachorrinha dela e fomos conversando pelas ruas. Mais uma vez falamos em preços, pois, ela terminou de construir uma casa num condominio fechado em Atibaia e começou a mobilia-la. Contou-se coisas absurdas: na Casa das Prateleiras ela viu a peça que precisava em condições não muito faórável. A entrega sria em 30 dias. A prateleita de 1m x 0,40cm, bastante frágil custaria quase R$ 300,00 cada uma. Na Rua do Gasômetro ela comprou 3 peças por R$ 50,00 e ganhou uma de presente!!!! Detalhe: madeira de melhor qualidade, mais espessa e larga. Levou as prateleiras no carro, na hora! Ela foi contando as diferenças de preços e dá medo de comprar sem pesquisar. Semana passada minha impressora me avisou que estava cansada de trabalhar e que a aposentadoria chegara. Saí correndo, fui ao Extra e comprei uma HP multifuncional por desespero. Juro que não vou olhar preços por aí pois, posso descobrir que paguei muito mais caro do que o devido e aí ficarei doida de uma vez... Bjkª. Elza
Busquei me colocar no mercado de trabalho e consegui. Tenho tantas atividades e tantas obrigações que não tenho noticias para postar. A coisa lá está muito confusa e ainda não vislumbro luz no fundo do tunel, para ser sincera. Conversando com meu marido e contando algumas coisas que estão ocorrendo lá, ele suspeita de desfalque grosso... Já vi esse filme! Bjkª. Elza
Elza Maria porque minha Mãe foi Elza e minha Avó Maria. Horrível, eu sei, mas melhor do que Maria Concetta, ou Maria Concebida, em homenagem às avós!
Minha imagem no espelho não combina com a da alma. A do espelho já foi jovial e hoje, a da alma o é.
Paradoxal, curiosa, inteligente, crítica, observadora, sentimental, habilidosa com as mãos, amorosa, sensível, disciplinada e um montão de outras coisas. Enfim, sou apenas um ser humano normal que gosta de escrever e está no terceiro blog.
Hora certa
"Algo só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário." Albert Einstein