Domingo, Junho 28, 2009

Compartimentos


Imagem retirada de:
http://www.ekiplast.com.br/diversos.html


Eu acredito que todos nós tenhamos nossa vida em compartimentos diversos. Num deles tem nossa saúde física; no outro, nossa saúde mental; no outro, nossa vida profissional; nossos amores; nossos desamores; alegrias; tristezas; desejos; realizações; imagens de pessoas e assim por diante.
Eu imagino a vida num gaveteiro com centenas de gavetinhas e que muitas vezes se comuniam e muitas vezes não. Essas gavetinhas são os compartimentos.

No meio de tantas gavetas, algumas tem chaves, cadeados e fitas isolantes, pois, não devem ser abertas em hipótese alguma. Essas gavetas tem memórias, que, se mexidas sem cuidado, podem causar um tremendo reboliço.

Recebi uma boa noticia, mas ela acabou abrindo um desses compartimentos sagrados e trancados com chave. As memórias sairam correndo de dentro da gavetinha e povoaram meus pensamentos.

Tantas coisas que eu julgava sepultadas e amortecidas e sem vida em minha vida estão mais fortes do que nunca e me assombram. Sabe pulga que fica um ano hibernando e reaparece com fome? Pois então, essas memórias estão com a mesma energia das pulgas e a sensação é que voltei ao passado recente. Toda minha dor voltou, como no tempo do Blog do UOL.

Aquela sensação de ser incompreendida, de ser julgada sem direito de defesa, de ser acusada injustamente do cometimento de infração à ética; a sensação de desamor, abandono e solidão ... tudo voltou à tona.

Nem consigo vibrar com a boa noticia. Ela me traz lembranças de um tempo áureo, cheio de paz e de ilusões. Tempo em que jamais eu poderia imaginar que fosse passar pelos dissabores que passei. Tempo em que eu me entregava de peito aberto aos que eu amava. Tempo que se foi.

De duas, uma: ou eu enfrento essa dor e limpo esse lixo de minha vida, ou coloco essas lembranças na gaveta e a tranco de novo com o risco de ficar doente. Enquanto não decido qual atitude tomar, estou aqui, sozinha, como sempre.

Bjkª. Elza
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Sexta-feira, Junho 26, 2009

Uno Mille

Meu marido TINHA um Uno Mille para suas viagens Sampa/BH/Sampa e todos os demais lugares que visitava. Deixou na rua e o amigo do alheio chegou e o levou embora.

Acionado o seguro, apareceu uma enorme lista de documentos para serem colecionados e apresentados para liberação do dinheiro. Começamos a juntar a papelada e descobrimos que meu ilustre esposo fez o grande favor de rasgar e jogar fora o documento de trasferência do veículo.

Mais do que isso, porque já tem Boletim de Ocorrência do fato e registro na Policia Militar o Detram não libera outro documento para transferência!

Assim, meu iluminado marido está indo, nesse momento, até a delegacia para emendar o BO para constar que o documento foi junto com o veículo e depois, ele deverá comparecer ao Cartório e fazer lavrar procuração em favor da Seguradora ... nem me pergunte o fim dessa história... eu passei o telefone para ele e me liberei dessa confusão.

Detalhe, o carro é dele mas o seguro está em meu nome.

Tudo tem um lado positivo: esse carro tem mais valor para a seguradora do que para o mercado de usados.

Volto depois de ler todas as noticias sobre a morte do idolo.

Bjkª. Elza
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Quarta-feira, Junho 24, 2009

Coisas da vida

Iraque, 1987.
Em meio a todos os problemas políticos e guerra civil muitos brasileiros foram para lá a trabalho. Desde engenheiros, mecânicos, operários de vários níveis e especialidades até mulheres que faziam serviços burocráticos no escritorio.
Com o término das obras todos foram repatriados e cada um seguiu seu rumo e sua vida.

São Paulo, 1992
Festa linda. Pais e amigos felizes com a união do casal. O padre compareceu ao jantar e mais uma vez abençoou os dois pombinhos que partiram apra a Europa em lua de mel.

São Paulo, 1995
Nasce Juliana. Linda, gordinha, inteira e sem problemas.

São Paulo, 1997
Nasce Tatiana. Magrinha, saudável e feliz.

São Paulo, 1999
- Mãe, como é meu Pai?
- Educado, gentil, muito inteligente. Administrador de empresas.
- Onde está meu Pai?
- Deixe esse assunto de lado e vamos viver nossa vida.
- Mãe, porque vc não casou? Eu sei que vc não é viuva de guerra coisa nenhuma.

São Paulo, 2005
- Mãe, eu quero saber quem é meu Pai. Quero conhece-lo.
- Filho, ele nem sabe de sua existência.
- Então está na hora de saber. Preciso saber se sou parecido com ele, se tenho afinidade com ele. Mãe, ele é meu Pai. Você conhce o seu. Meus amigos conhecem seus Pais.
- Vou pensar no assunto e pare de me esquentar a cabeça.

Depois dessa conversa ela resolveu descobrir onde estava o Pai do seu filho. Procurou os antigos companheiros de Iraque para saber noticias e descobrir o paradeiro dele e não conseguiu informações. Pensou em contratar aquele detetive particular que anuncia no mural do prédio, mas desistiu. A fofoca rolaria solta pois, ela contava que era viúva de guerra para quem quisesse ouvir.

O tempo foi passando e o filho esqueceu o assunto. Ela calou-se e continuou sua vidinha.

São Paulo, 2007
- Mãe, você já pensou muito. Eu quero o nome do meu Pai. Eu vou procurá-lo.
- Vai dizer o que, menino?
- Isso eu vejo na hora.
A pressão foi tão forte que ela decidiu-se e ofereceu o nome do Pai ao menino e disse que não sabia como encontrá-lo.
- Isso é o de menos. Quer ver?
Ele entrou num site de busca e colocou o nome do Pai e muitos links apareceram. O jovem descobriu que ele é Diretor de uma imensa empresa brasileira que presta serviços no mundo inteiro. Obteve o telefone e ligou.

- O Senhor não me conhece, mas eu preciso lhe perguntar se estava no Iraque em 1989.
- Estava, sim. Saí com a primeira leva de empregados repatriados com o término da obra.
- Conheceu uma mulher chamada Marilice?
- Sim, tenho lembrança dela. Eu vim para o Brasil e nunca mais vi essa moça.
- O Senhor foi namorado dela?
- Pode-se dizer que sim. Por que você me pergunta essa coisas do passado?
- Eu sou seu filho. Nasci em 1990 e minha Mãe não lhe contou da gravidez. Quando ela soube que estava grávida o Senhor já havia partido e ela não teve iniciativa de lhe dizer.

Ele contou para a esposa o que acabara de ouvir. Tomou-a pela mão e foram à casa de Marilice. Conferiram os dados e tudo combinava. O jovem tinha todas as chances de ser seu filho, de fato.

- Façamos o seguinte, vamos colher sangue e testar o DNA apenas para confirmar nossa ligação.

Pronto o exame, o rapaz foi reconhecido como filho e hoje, ostenta, todo orgulhoso, o nome do Pai, que, passou a lhe dar assistência financeira e educacional. O jovem passa dois dias por semana na casa do Pai e foi completamente aceito pelas meias irmãs e pela madrasta. Com o amparo do Pai prestou vestibular e já está cursando a universidade.

Fim de caso, por enquanto.

A historia é real. As datas não. O nome da Mãe é minha criação.


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Bjkª. Elza
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Segunda-feira, Junho 22, 2009

Compasso de espera

Imagem retirada de:
http://members.fortunecity.com/hikaru_hinotori/gal-sm1.html


Elza, eu sou Danielle, filha da Ana. Será aniversário dela em agosto, mas meu irmão que mora em Portugal virá em julho e vamos festejar no dia 11. Você está convidada e gostaríamos de saber se tem mais alguém que vc ache interessante chamarmos para os 60 anos dela.

Quando eu li a mensagem no Orkut fiquei muito alegre por ter sido lembrada.

Danielle, no nosso tempo de escola sua Mãe andava com uma turma formada por fulana, cicrana e beltrana. Eu tenho os telefones de duas delas.

Enviei a mensagem e só depois minha ficha caiu ... como é que vou oferecendo os telefones dessas colegas ... sei lá se aconteceu alguma coisa entre elas ... sei lá se elas querem esse contato ...???

Liguei para uma delas e contei o ocorrido:

- Ó, no dia da festa eu passo por aí e apanho você. Vamos juntas fofocando e colocando nosso papo em dia. Alivio geral.

Liguei para a outra:

- Jura que vc encontrou essa amiga no Orkut? Eu fui ao casamento dela e nunca mais a vi. Quatro filhos? Separou-se? Mora na praia? Puxa vida, como faço para ir à festa? Meu marido não viaja de jeito nenhum... Claro que fez bem em dar meu telefone para ela. A festa é surpresa? Genial!!!

Estou na expectativa dessa festa e de rever outras amigas de adolescência.

Minha avó dizia que o melhor da festa é esperar por ela. Será que dessa vez será assim também?

Bjkª. Elza
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Sexta-feira, Junho 19, 2009

Afinidade

é algo que as pessoas tem entre si com naturalidade.

Não é construído e nem desenvolvido com o tempo e com experiência.

Afinidade, eu penso, vem da alma. Ou existe ou existe e fim de papo!
Quando existe a coisa flui, não importa o tipo de relacionamento as pessoas tenham. Podem ser amigos, amantes, colegas de trabalho, namorados, irmãos ou o quê mais ocorrer.

Quando há afinidade entre dois seres, eles podem ficar de longe pensando parecido. e quando se encontram, continuam a relação como se lapso não houvera. Podem ficar um tempão sem conversar e quando se encontram, reatam o papo de onde ele parou.

O grande mistério para mim é a retomada da relação de onde ela foi interrompida sem lamentar o tempo de interregno, com a mesma intensidade de sentimento de querer bem.

Afinidade é falar sem palavras.

É pensar igual sem que um precise convencer o outro.

É um sentimento que independe de qualquer outro.

Ter afinidade com alguém é uma benção. A vida fica mais fácil.

Esse é um sentimento raro, mas tenho o prazer de desfrutar dele com algumas pessoas ao longo de minha vida.

Tenho tanta afinidade com meu irmão mais velho que, muitas vezes eu comecei uma redação e ele terminou e só nós conseguimos identificar onde se deu a troca de autor.

Por que estou falando em afinidade? Por que recebi um e.mail lindo a respeito desse sentimento e me senti tentada a divagar sobre o tema tão bem desenvolvido por Arthur da Távola.

Você tem afinidade com quem?

Bjkª. da Elza

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Segunda-feira, Junho 15, 2009

"QUE LUGAR TE FAZ SENTIR EM CASA"?

Cá estamos, outra vez, aceitando o tema proposto pela Tertulia Virtual.
Pela imagem posso ter dado a impressão de me sentir em casa em qualquer lugar porque a carrego nas costas.
Engano.
Coloqei essa imagem por que achei bonita e simpática.
Desde que li a proposta fiquei matutando e, inicialmente, concluí que me sinto em casa junto dos meus parentes de sangue, por que sou acolhida e aceita como sou. O parentesco me dá a confiança de ser igual. As origens comuns superam minha insegurança.
Fiquei feliz com essa conclusão e fui para a casa de minha amiga cachorreira com o Baltazar e me senti em casa. Lá eu tenho liberdade de abrir o armário e tomar um copo para beber água; mexer na geladeira em busca de petisco; corrigir as cachorras e limpar eventuais resquícios que elas tenham deixado no jornal... como se estivesse na minha casa.
Estive no escritório de um amigo e me espalhei pela mesa dele. Brinquei com a recepcionista, usei o telefone e recebi muitos carinhos de boas vindas e pedidos insistentes para retornar.
Saí com minhas amigas de infância e da mesa do restaurante fomos à casa de uma delas. Senti-me tão a vontade como se estivesse em casa.
No prédio da Justiça eu me sinto confortável e tranquila. Sei o que estou fazendo, por que estou fazendo, a quem solicitar o que preciso e como me comportar. Tudo é familiar e comum, mas não me sinto em casa.
Também não me sinto em casa em lojas e restaurantes por mais familiares e conhecidos que sejam.
Diante dessa vivência e análise superficial, concluí que sinto-me em casa em algumas situações especiais, mas é preciso que eu vença minhas amarras, minha timidez e sinta que há confiança e aconchego na recepção.
Sinto-me em casa num lugar onde eu tenha a possibilidade de eu ser eu mesma, com minhas graças e trejeitos.
Sinto-me em casa num lugar onde não exista competição, ciume, inveja e mentira.
Bjkª. Elza
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Domingo, Junho 14, 2009

Nana Caymi

http://www.youtube.com/watch?v=DxJYFrmrdjo

Tentei colocar o video aqui, mas não consegui.
Desde o show Elas Cantam Roberto Carlos estou com essa música no pensamento.
Adoro a voz de Nana Caymi e a letra dessa canção é maravilhosa.

Bjkª. Elza
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Elza Maria porque minha Mãe foi Elza e minha Avó Maria. Horrível, eu sei, mas melhor do que Maria Concetta, ou Maria Concebida, em homenagem às avós! Minha imagem no espelho não combina com a da alma. A do espelho já foi jovial e hoje, a da alma o é. Paradoxal, curiosa, inteligente, crítica, observadora, sentimental, habilidosa com as mãos, amorosa, sensível, disciplinada e um montão de outras coisas. Enfim, sou apenas um ser humano normal que gosta de escrever e está no terceiro blog.


 





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SILVIA PERUTTI  

"Algo só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário."
Albert Einstein